segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sobre primeiras vezes.

Para tudo existe uma primeira vez. Provavelmente a nossa mãe lembra do nosso primeiro sorriso e da nossa primeira palavra. Esses dias eu lembrei do primeiro bolo que eu fiz. Certo, vocês podem ter pensado em outras primeiras vezes, mas no momento o que me fez pensar foi esse bolo.
Meu melhor amigo ia fazer aniversário e não ia fazer nem uma reuniãozinha. Eu senti que precisava fazer algo e organizei uma festinha surpresa, mas, ninguém sabia/queria fazer o bolo. Eu nunca tinha feito nada na cozinha, tinha uns 13 anos, acho.
Então eu fiz um bolo, na sorte mesmo. Não lembro se ficou bom, não sei se as pessoas gostaram... Mas lembro que meu melhor amigo ficou feliz e deu um sorriso quando soube que eu tentei fazer.
Hoje, cerca de seis anos depois, ele não fala mais comigo. Mas eu guardo muitos momentos, esse em especial. Muitas vezes fazemos algo por alguém e dá aquele medo de não valer a pena no final, de não sermos correspondidos. Eu arrisquei e meu antigo melhor amigo me fez valer o dia, e hoje me vale lembranças saudosas.
Se arrisque por quem você ama e deixa a experiência trazer para você o que estiver reservado. Seja para melhor ou pior, tentar vale a pena, o simples fato de querer agradar alguém já é bom. Algumas vezes você não vai receber em troca, ou menos do que esperava, ou perder algo muito importante, apesar do desafio. Mas na maioria das vezes resulta em aprendizado, e um sorriso de quem sabe que você não tem medo de mostrar seu amor em gestos.
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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sobre direção.

Hoje fazem três meses que o senhor foi embora, pai. Muita coisa aconteceu nesses dias, e eu gostaria de ter a sua presença física para ver tudo. Uma das mais importantes: eu estou fazendo as aulas de direção que o senhor tanto insistiu para que eu tivesse quando completasse 18 anos.
São três meses em que todos nós perdemos a direção de alguma forma, perdemos um ponto de referência, um barco seguro no meio da tempestade. E esse ano vou fazer 20 anos, meu primeiro aniversário sem o senhor, dois dias antes da data que o senhor faria 53.
Pai, dificilmente eu esqueceria da primeira vez que peguei no volante, pois era o senhor quem estava ao meu lado. A lembrança é tão palpável que ainda lembro da sua voz falando exatamente "IACI MARIA PISE NA EMBREAGEM!" e dizendo que eu deveria dirigir do jeito que falou, não do jeito que o senhor tinha acabado de fazer.
O senhor foi embora e todas as direções que a minha vida tinha mudaram. Em todas falta uma coisa, o vovô se um dia eu tiver filhos, o braço dado na igreja se um dia eu casar, e um beijo na testa na hora de ir dormir de noite.
Entre tudo que me faz falta, as coisas que eu vou viver e o senhor não vai ver... Dirigir está entre elas. Porque o senhor era o melhor motorista de todos, que me indicava o caminho certo e quando eu ia pelo errado me dava uma bronca e me mandava voltar. O senhor dizia para eu diminuir a velocidade quando eu começava a correr e que para passar na lombada era muito simples, bastava ter calma.
Obrigada por me dizer para soltar o freio de mão senão o carro nunca ia sair do lugar, pai. Obrigada por simplesmente ter me presenteado dando a minha vida e a possibilidade de tê-lo como pai, ainda hoje o senhor me aponta direções. Eu te amo e sinto sua falta, todos sentimos. Dirija bem onde estiver, e eu fico por aqui, só lembrando de pisar na embreagem.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Sobre diferenças.

Ver é diferente de olhar, ouvir é diferente de escutar... Tudo isso. O que a gente vê na outra pessoa, os outros só olham e pensam: “O que ele tem de mais afinal?”. Quando as pessoas que a gente ama falam algo, nós ouvimos exatamente o que elas querem dizer, pelo tom da voz.
Abraçar é diferente de dar uns tapinhas na costa, e um sorriso espontâneo é mil vezes diferentes de um sorriso forçado para tirar foto com gente que você não gosta. Gostar é diferente de se apaixonar que é diferente de amar. Qualquer chuva é diferente da chuva de Belém.
Eu sou diferente de você e não é incrível como a gente supera isso? Porque beijo de quem se vê todos os dias é diferente daquele beijo que se espera dar há meses ou anos. Quando eu escuto uma música, o jeito que eu a recebo é diferente da forma como você recebe.
Porque não “dá no mesmo”, nunca é “a mesma coisa”. Sempre tem algo a mais ou a menos. Sempre tem uma diferença. Ser diferente, em geral, é bom, encontrar o verdadeiro sentido, o que transforma um simples ato em algo realmente especial... Isso é incrível. Então não esconda suas peculiaridades, seja único, seja especial, seja diferente.
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domingo, 15 de janeiro de 2012

Sobre expectativa.

Eu costumo dizer para algumas pessoas "Não te empolga muito, sabes a história da expectativa né?". Maioria me diz que conhece, mas, um dia, alguém me perguntou que história era essa. Eu disse aquele velho (e correto) clichê que fala do excesso de expectativa, quanto maior ela é, maior pode ser a decepção depois.
Às vezes a espera é grande e fica impossível controlar a emoção, criar situações é inevitável. Viajar pensando que o reencontro será de pura emoção e quando chegar é frio e distante. Dar um presente e a reação estar muito abaixo do que você pensou que ia ser, do que esperou.
Por que, às vezes, não era tudo aquilo que você tinha imaginado. E nessas horas precisamos controlar esse costume da nossa cabeça de entrar em acordo com o coração e criar todas as situações que gostaríamos que acontecessem, mas que podem não dar certo.
Então resolvi que em 2012 não criaria expectativas sobre absolutamente nada, assim, as chance de me maravilhar aumentam consideravelmente. É difícil e já cometi um deslize, mas é assim que aprendemos as melhores maneiras de nos surpreender e aumentar as chances de um sorriso mais sincero e delicioso.

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Música. [3]

Logo quando fui comprar meu primeiro aparelho para tocar mp3 que realmente prestava eu fiz questão de um bem legal, e eu queria que ele tivesse uma tela. Todo mundo me dizia que, se eu comprasse o que não tinha tela e mais simples, eu economizaria mais. E era verdade, mas eu insistia e respondia apenas com: "eu gosto de ver o que estou ouvindo".
Eu me referia, é claro, ao fato de ver a capa do álbum, o nome da música e etc. Hoje eu tenho uma visão mais ampla quando digo que gosto de ver o que eu escuto.
Eu gosto de ver quais as lembranças, memórias e quais imagens uma música cria na minha cabeça. Quais os sentimentos que ela me traz e então discernir os formatos, tamanhos, cores e, quem sabe, cheiros. Eu levo música a sério porque gravo a minha vida, momentos importantes, em acordes de músicas que vou levar comigo. Um dia vou escutar depois de muito tempo e lembrar.
Música é recordação, é imagem. Assim como uma imagem comove, a melodia certa nos faz ver uma cena de forma diferente. É começar o primeiro acorde e uma sensação surgir, um aperto no coração.
Se não aconteceu, um dia vai acontecer com você, é tipo quando se está no ônibus ou na rua com os fones de ouvido e começa uma música inesperada que te faz começar a sorrir como um bobo. Que nesse 2012 todos tenhamos novas músicas, ou novos significados para músicas antigas, o importante é ver o que se escuta, sempre.
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Obs: o Minha Miscelânea x), portanto, eu, sou adepta da política de usar o fone de ouvido quando estiver no ônibus ou na rua. Música faz bem mas, para cada pessoa, tem um significado diferente. Use fone de ouvido e respeite os ouvidos dos outros.

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

2012.

Quero que 2012 seja um sopro. Um vento gelado no meu rosto quando eu estou suando e derretendo. Eu quero um ano de paz, para variar. Muitos sorrisos e algumas lágrimas. Reencontros, surpresas, amor. Que 2012 seja um novo galho da velha árvore que foi 2011, ainda recebe a mesma água, onde corre a mesma seiva, mas que dá novas flores e novas frutas.
Eu quero que 2012 seja aquela mensagem de madrugada. Você fica bravo porque ela chegou e te acordou, aí lê e vê que, na verdade, te deixou mais feliz. Quero abraços apertados de proteção, estar ao lado de quem eu amo. Que seja um band-aid para a ferida que eu sei que não vai sarar, mas que ameniza um pouco a dor.
Um livro a ser escrito, sem esquecer as páginas que 2011 fez contra minha vontade. Um série de atos, consequências e aprendizado. Pessoas, pessoas que valham a pena. Muita inspiração, para muito texto, para muitos clichês.
Quero que 2012 seja o quinto pulo de uma pedra atirada paralelamente a água. Você não acha que vai conseguir, e quando consegue e vê a pedra sumir percebe que, afinal de contas, não foi difícil assim. Quero olhar nos olhos de 2012 e ver beleza até mesmo na tristeza que puder vir.
Que esse novo ano não seja um vislumbre de uma luz no fim do túnel, mas a claridade em si. Um guia, um direito, uma solução. Novos rumos, companhias, mais estrelas no meu céu, mais flores no caminho difícil e tortuoso. Um brinde, a 2012, e tudo que ainda virá.
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Que esse novo ano seja diferente... Para todos nós. Tudibom para vocês, e ano que vem tem mais.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

As farpas.

É estranho como é da nossa natureza simplesmente nos machucar. Não fisicamente, mas por dentro. Como queremos ver tudo e depois de saber a verdade ainda queremos insistir em confirmar mil vezes e machucar nosso próprio coração.
Certos acontecimentos eu comparo àquelas farpas de madeira que entram no dedo. Sangra muito e você não consegue se concentrar em nada a não ser naquela dor aguda que incomoda e lateja. Você tenta tirar, e às vezes até sai. Mas quando a farpa é muito grande e entra muito profundamente, ela se instala e deixa de doer.
Até aí tudo bem, a situação passou e você volta a viver de novo, faz outras coisas, se distrai. Mas um dia você bate o dedo e a farpa cutuca. Pode ser por acaso... Mas você decide pegar uma agulha, ou um alicate, e cutucar o dedo, até sangrar de novo, até doer muito. E a farpa não sai.
Por que insistimos em nos magoar? Não sei. Mas acho que está relacionado a uma esperança, uma vontade de encontrar algo que contrarie a situação, que mostre que estamos enganados. Você faz isso? Não estou repreendendo, eu faço isso o tempo todo... Porque eu não consigo acreditar que as pessoas sejam capazes de magoar tanto as outras sem remorso algum.
Mas, no fim, o pior machucado é o que fazemos em nós mesmos. Não há quem culpar, não se pode concentrar a raiva em nada, só na nossa própria insistência. Proponho que tiremos essa farpa de vez, ou que, no mínimo, paremos de cutucar por conta própria. Poupa o coração das tristezas, faz bem para a saúde e o melhor de tudo: faz você seguir em frente sem mágoas do passado te puxando para trás.
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Seja bem vindo!

Sinta-se em casa ;*

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Belém, Pará, Brazil
Estudante de Jornalismo que não sabe parar de falar e por isso abriu um blog, para falar e colocar todas as besteiras que quiser. Bendita liberdade da internet.

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